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Homens que trabalham com tecnologia: qual a melhor forma de ajudar as mulheres? Não atrapalhar!

Esse é um texto breve, direcionado a homens que, como eu, trabalham em um setor tecnológico.

Primeira coisa: quantas vezes já te incomodou o fato de praticamente só terem outros homens trabalhando com você? E em casos que até tenham bastante mulheres no seu time/empresa, te incomodou o fato de quase nenhuma (ou até nenhuma) estar em cargos de liderança?

Pois é.

Não tem problema se você não se incomodou. O problema é não começar a se incomodar depois de te alertarem sobre este fato.

No mercado de trabalho brasileiro, só 20% dos profissionais que atuam com TI são mulheres, segundo o IBGE. E mesmo as que tem formação igual ou maior maior que a dos homens, elas ainda ganham 34% a menos.

Vemos relatos sobre opressões cotidianas. Diariamente, elas ouvem “piadas” sobre serem mulheres. São excluídas de projetos relevantes, mesmo tendo capacidade técnica. Não são ouvidas em reuniões e discussões (ou basicamente interrompidas de três em três minutos, até desanimarem de falar). E essas opressões são feitas por quem?

TCHARAN!

Por homens como nós, meu amigo.

Somos a maioria no setor pois criamos e mantemos um clube do Bolinha na tecnologia, mesmo que, muitas vezes, involuntariamente. E já tem tempo que saímos do ensino fundamental, certo? Está na hora de parar com isso.

No Dia Internacional da Mulher, a gente pode até dar florzinha e chocolate para elas, mas é nosso comportamento nos outros 364 dias do ano que faz com que essa desigualdade de gênero se mantenha em nosso setor.

E você pode até argumentar: “ah, mas teve uma vez, na minha empresa, que foi a própria chefe mulher que oprimiu outra mulher!”.

Sim, podem ter uma, duas ou até três mulheres que reproduzem esses comportamentos machistas (inclusive, por conta do machismo que sofreram para chegar a um cargo de liderança). Mas, quantitativamente, elas são pouquíssimas. E você, meu amigo que trabalha com tecnologia, deveria saber que, estatisticamente, essa amostra é irrelevante para usar de argumento.


UM ADENDO IMPORTANTE: entenda, de uma vez por todas, que apontar esses fatos não é dizer que você é um homem mau, que odeia mulheres e que é um opressor compulsório, agressivo e faz isso de forma consciente. Sabemos que existem homens assim, mas não estou dizendo que é o seu caso. Provavelmente não é. Mas se for, vá se tratar.

Lembre-se: o mesmo machismo que é danoso para as mulheres, também é danoso, de outras formas, para nós. Por isso também é nosso papel lutar contra ele. Sobre esse assunto, assista o documentário The Mask You Live In, disponível no Netflix.


O fato é: mesmo tendo poucas mulheres trabalhando conosco, existe um volume considerável de iniciativas onde elas se reúnem para estudar os fundamentos das tecnologias, aprimorar conhecimentos e criar redes de apoio.

A Melanie Miranda, desenvolvedora web formada pela Reprograma, criou um site fabuloso chamado Lista das Minas, que reúne um acervo de cursos, meetups, eventos e comunidades na área de TI focadas em reduzir esse gap de gênero do setor.

Na Ironhack, escola global de tecnologia, com bootcamps de web development, UX/UI Design e Data Analytics, mulheres possuem 10% de desconto como um incentivo ao estudo.

As mulheres estão se reunindo e se movimentando para reduzir essa desigualdade de gênero. Qual o nosso papel? Obviamente é ajudar. E principalmente: não atrapalhar.

Listo aqui alguns comportamentos que é perfeitamente possível parar de reproduzir a partir de hoje. E se você já parou, parabéns! Agora a próxima fase é ajudar seus amigos a parar de fazer a mesma coisa:

Não parta do princípio que uma mulher não sabe

Está incrustado em nosso subconsciente um comportamento machista muito danoso: partir do princípio que uma mulher não sabe sobre algum assunto e, sem nem ter perguntado antes, já sair explicando.

O que custa perguntar antes se a pessoa sabe o que é tal framework? Ou se ela já estudou tal linguagem? Dependendo da resposta, o assunto segue. Não seja o famoso macho palestrinha rs.

Se policie sobre as “piadas” no ambiente de trabalho

Já estamos no Século XXI, meu amigo. Já deu de insinuar que mulher não sabe dirigir, né? Se um dia isso já teve graça, hoje não tem mais. Faça piadas melhores, tem muitas por aí.

Reflita se você está excluindo alguma mulher de algo só por ela ser mulher

Seja um projeto especial, uma reunião importante ou até um happy hour de comemoração. Mais um dos machismos incrustados na nossa cabeça é o de lembrar apenas de outros homens na hora de realizar trabalhos e comemorar as vitórias advindas deles. Cuidado com isso.

Não desmotive suas amigas que querem entrar nessa área

Talvez alguma amiga sua queira ser engenheira, ou dev, ou cientista de dados. Se ela vier conversar com você sobre a área, não saia dizendo que é super difícil, que ela vai sofrer para se adequar ao curso e que não vai ser fácil.

Por mais que isso possa ser verdade, por conta dos cursos técnicos serem realmente difíceis, esse tipo de discurso repele mais que engaja.

Fale sim dos desafios do setor, mas ajude a apontar caminhos de solução. Indique os cursos que são focados em reduzir os gaps de gênero. Mostre quais são as redes de apoio que já estão formadas. Conecte suas amigas com outras mulheres da área.


Não é com flores e chocolates que você vai celebrar o Dia Internacional da Mulher. É deixando de reproduzir comportamentos machistas daqui pra frente, e dando toques nos seus amigos que ainda estão fazendo isso. E tudo bem se você só está pensando pela primeira vez sobre isso agora. Nunca é tarde para começar a mudar.

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